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Piedade do Rio Grande, 22 de Fevereiro de 2018 :: 14 visitantes online.

História política de Piedade

Publicado em 23/04/2013 00:00:00


Editor de texto rico, editor1

 

 

História política de Piedade do Rio Grande tem raízes em Andrelância

José Venâncio de Resende   //    22 de Abril de 2013 

 

Foto: Arquivo da Prefeitura Municipal

Foto: Arquivo da Prefeitura Municipal

A história política de Piedade do Rio Grande está intimimamente ligada ao processo político do antigo Turvo, atual Andrelância, que remonta aos tempos do Império. Antes disso, entre meados do século 18 e início do século 20, a antiga Vila de Nossa Senhora da Piedade do Rio Grande pertenceu a São João del-Rei. Consta que o primeiro batizado na Capela de Nossa Senhora da Piedade ocorreu em 1743, diz padre José Paulo Guimarães Menezes, o pároco.

Em 1825, a Capela passou para os domínios da  Freguesia de São Miguel do Cajuru, desmembrando-se de Nossa Senhora do Pilar, e em 1861 para Madre de Deus. Em fevereiro de 1892, Piedade do Rio Grande foi elevada a Paróquia, bem antes de ser emancipada.

No início do século 20, a Vila passou a pertencer ao município do Turvo, atual Andrelândia, ganhando o nome de Vila de Arantes, numa referência à tradicional família Arantes cujo expoente, o Visconde de Arantes, era político influente na região, segundo Álvaro de Azevedo (Andrelândia - Fatos de sua vida político-social, Livraria Clássica Brasileira, Rio de Janeiro, 1954). O “Partido doVisconde” reinava absoluto no município quando, em 1887, surgiu contra ele o Partido Republicano do Turvo (PRT). “Nasceu raquítico, mas adquiriu logo o máximo vigor, facilitada a sua tarefa pelo advento da República a que o Visconde (como quase todos os titulares do Império) aderira logo...”

Pela primeira vez, o PRT elegeu os membros da Câmara, para reger os destinos do município no triênio de 1895-97, relata Azevedo. O governador de Minas era o republicano histórico Crispim Jacques Bias Fortes. O presidente – e agente executivo, espécie de prefeito - da primeira Câmara do PRT era José Bonifácio de Azevedo, o Zé Bahia. Outros líderes do partido eram Joaquim Emerenciano Gustavo (Quinzinho), João Zuquim de Figueiredo Neves (João Magro), José Bernardino Alves e Tobias de Paula Campos. Porém, com a proclamação da República e a dissolução das câmaras municipais, o então governador mineiro Cesário Alvim ignorou os seguidores do PRT, substituindo os vereadores depostos por candidatos do Visconde de Arantes.     

Piedade e o Visconde

De 1905 a 1915, o Turvo ficou sobre o domínio do Partido do Visconte, sob a chefia de Emílio Antonio Cardoso e Evaristo Antonio Chaves, conta Azevedo. Piedade do Rio Grande foi, por longo tempo, um dos maiores redutos eleitorais do Visconde de Arantes. Ele recebia a maior parte dos votos do distrito pelas mãos do chefe político Hipólito Rodrigues Teixeira. Na oposição, figurava a família dos Monteiros que, no início do século 20, começou a se imiscuir na vida política do distrito.  

Américo José Monteiro, da Fazenda do Ribeirão, foi vereador eleito pelo distrito de Arantes e presidente da Câmara Legislativa do Turvo, espécie de prefeito, conta seu neto José Edwiges Araújo Monteiro (Fatos e Recordações,2010). “Na gestão do vovô como prefeito, é que foi instalada a linha telefônica, partindo de Barbacena a Andrelândia. E também neste período nasceu a idéia de construir a estrada de automóvel, ligando Ibertioga a Piedade, cujo destino era Caxambu.”

De acordo com Azevedo, depois de acordo entre as duas facções políticas defendido pelo Partido do Visconde para evitar derrota na próxima eleição, José Bonifácio de Azevedo foi escolhido para a presidência da Câmara. Porém, o direito de voto de desempate do presidente manteve o PRT dominando a política do município até 1945.

Andradas e Bias Fortes

O projeto original, de se ligar Barbacena a Andrelândia, não foi levado a efeito, sendo interrompido em Ibertioga, diz Francisco Rodrigues de Oliveira (História da Construção da Estrada de Barbacena a Ibertioga,Barbacena, 2002). “Até 1930, a vida política de Barbacena era gerida pelas famílias Andrada e Bias Fortes, e os empresários ibertioganos eram os dirigentes do partido do governo, na época Partido da República.” Já o ramal de Ibertioga a Piedade do Rio Grande foi construído pelo Estado, com a administração de particulares.

A família Monteiro teve participação ativa na construção da estrada Ibertioga-Piedade. As obras do trecho de Ibertioga à fazenda da Ventania foram administradas por Custódio. Nas terras da Ventania, a administração foi realizada pelo proprietário da fazenda, Antonio Fagundes. O trecho final, até Piedade, teve a construção tocada por Hildebrando Teixeira de Andrade. Colaborou na construção Godofredo de Oliveira, da fazenda do Ribeirão, genro de Américo Monteiro.         

A estrada foi inaugurada em 13 de setembro de 1928, com a presença de José Francisco Bias Fortes, secretário de Segurança Pública do governo mineiro de Antonio Carlos, e José Bonifácio Filho, seu secretário particular, ambos de Barbacena. Anos depois, a estrada – cujo destino seria Caxambu – foi encampada pelo Estado, relata José Edwiges. “Se não houvesse este interesse por parte do Estado e dos políticos, iria acontecer com a estrada o mesmo destino da rede telefônica: a sua extinção por falta de verba para sua conserva.”

Entre as lideranças políticas desta fase do distrito de Arantes, aparece José Fernandes Teixeira, avô do ex-prefeito Enir Geraldo Teixeira. “Ele era juiz de paz quando Getúlio Vargas assumiu o poder. Foram à fazenda do Jardim, do meu avô, tomar o cargo dele.” O pai de Enir, José Fernandes Filho, chegou a ser vereador em Andrelândia pelo distrito de Arantes.  

Outros netos do líder político são o ex-prefeito José Fernandes e o atual prefeito Mauro Fernandes do Vale.

UDN e PSD

Com a queda da ditadura (Vargas), foi embora o prefeito do PRT, relata Álvaro de Azevedo. “Logo, na primeira eleição, após o longo período ditatorial, foi derrotado o Partido Republicano do Turvo, voltando, pois, o município, ao dominío do velho partido do Visconte, que readquirira, assim, o poder, após trinta anos de ostracismo (1915 a 1945).”                   

O prefeito eleito Simplício Dias do Nascimento não apenas beneficiou o município com construção e reforma de estradas intermunicipais, como também iniciou em Piedade do Rio Grande o abastecimento d´água, observa Azevedo. “Efêmero foi, porém, o triunfo do Partido do Visconde.”          

A partir da era Vargas, UDN (União Democrática Nacional) e PSD (Partido Social Democrático) alternavam-se no poder em Andrelândia, e eram popularmente conhecidos como “caranguejos” e “veados”, observa o padre José Paulo. A política era polarizada, “pegava fogo”, complementa Enir.

No distrito de Arantes, predominavam os caranguejos “pela força do coronelismo (voto de cabresto)”, afirma o pároco. Uma das poucas vezes em que a oposição comandada pelos veados venceu foi em 1950 quando o distrito ajudou eleger prefeito o padre Jaime Salgado Pereira, tendo como vice Ed Monteiro de Araújo. “Começou então o seu trabalho em prol do distrito de Piedade: primeiro conseguiu que o nome oficial do distrito voltasse a ser o de Piedade do Rio Grande, e não o de Arantes”, relata José Edwiges referindo-se a Ed Monteiro.

Mesmo com a emancipação em 1954, a UDN continuou dominando a política do novo município. José Gonçalves da Silva foi nomeado pelo governador do Estado intendente de Piedade do Rio Grande para organizar o município com vistas à primeira eleição direta.

O primeiro prefeito eleito foi o udenista Nicanor Martins Gonçalves, para o mandato de 1955-59. “A liderança do senhor Nicanor era muito forte, ele era ligado aos Andrada de Barbacena, que sempre foram majoritários aqui nas eleições de deputados e governador”, afirma Bartolomeu Rogério Gonçalves, servidor público e assessor especial do atual prefeito.

A UDN manteve o controle da administração municipal em 1959-62, com José Bernardino do Nascimento, e em 1963-66, com Edmundo Bosco Ribeiro. Segundo Enir, Edmundo cultivou laços políticos com o então ministro de Minas e Energia, Gabriel de Resende Passos, e seu filho Celso (deputado federal). Outro aliado era o deputado estadual são-joanense Nelson Lombardi, que ajudou a encaminhar a construção da ponte do Rio Grande, concluída na gestão de Enir.        

Partidos da ditadura

Com o golpe militar de 1964, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional) assumiu naturalmente o papel da UDN na hegemonia da política local. As sublegendas 1 e 2 da ARENA chegaram a prevalecer sobre o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), de acordo com o padre José Paulo.

Assim, Edmundo Ribeiro, que voltou ao poder em 1963 pela UDN, terminou o mandato na ARENA. Em 1967, foi a vez de Nicanor Gonçalves voltar à prefeitura, também pela ARENA. A família dos Martins Gonçalves, com Bartolomeu, manteve o controle da administração municipal no mandato-tampão de 1971-72.

Enir Teixeira assegurou a hegemonia da ARENA, ao ser eleito para o período 1973-76. O antigo udenista José Bernardino voltou ao cargo de prefeito em 1977, também pela ARENA. O mandato de seis anos (1983-88) marcou o retorno à administração municipal de Bartolomeu Gonçalves, desta vez pelo PDS (Partido Democrático Social), substituto da ARENA.

Multipartidarismo

Com a abertura política, o mutipartidarismo foi o primeiro golpe no coronelismo que predominava em Piedade do Rio Grande, na visão do padre José Paulo. “Aqui mudou muito depois do bipartidarismo. Mas ainda continua um resquício com os Andrada de Barbacena.”

Em 1989, o PMDB (sucessor do MDB) chegou à prefeitura, com Alfredo Salgado Monteiro. Mas na sua sucessão o PDS retomou o poder em 1993, com Enir Teixeira. Em 1997, o PMDB voltou à administração municipal com José Fernandes Neto, que foi batizado nas urnas para mais um mandato (2001-04).

O PSDB estreou na gestão municipal com Lecy Ataíde do Nascimento (2005-08), mas perdeu a eleição seguinte para o ex-prefeito José Fernandes Neto (PMDB). O atual prefeito é Mauro Fernandes do Vale, eleito pelo também estreante Partido Progressista (PP).      

Além do multipartidarismo, também o agronegócio contribuiu para o fim do coronelismo, admite padre José Paulo. “O coronelismo era forte porque a população rural era maior do que a urbana.” O município era “eminentemente rural, tinha muito a ver com a agricultura familiar e colonial. Não tinha latifúndios”. Eram pequenos produtores “comandados politicamente por uns quatro coronéis”.

Atualmente, a população urbana representa a maciça maioria dos moradores do município. Reflexo disso é que a Câmara Municipal, de acordo com o padre José Paulo, tem representação multipartidária, com vereadores do PSDB/PP (4), PMDB (2), PSD (2) e PT (1). Na eleição anterior, já ocorrera a multi-representatividade partidária no Legislativo.

Educação

Na área da educação, diversas ações foram realizadas pelas administrações do município de Piedade do Rio Grande, para promover um sistema educacional de qualidade. “Não foi somente um prefeito que fez mais pela educação, mas todos, indistintos, que conseguiram promover o município, melhorando a educação”, de acordo com o estudo "História do Município" (Projeto de Educação Patrimonial, Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, dezembro de 2009). Para isso, eles contaram com equipes de profissionais da educação, “professores e funcionários que sempre almejam melhorias para o ensino e desenvolvimento da cidade”.

Segundo o documento, “a história da educação de Piedade do Rio Grande passa, sobretudo, pela adoção de medidas socioeducativas que visam ao desenvolvimento da cidade”. Fundação da primeira escola estadual em 1954, construção de escolas na zona rural, implantação do 2º grau, criação do curso de magistério e de contabilidade, acesso à gratuidade no transporte para São João del-Rei, implantação da biblioteca pública, exigência do concurso publico para provimento das vagas, criação do tempo integral das crianças na escola, entre outras medidas, resultaram numa “educação de boa qualidade, garantindo a todas as crianças do município o acesso a tal e formando cidadãos”.         

Economia

Desde o seu início, o município tem por base a agropecuária, com produção de leite, queijo, manteiga, arroz, feijão e milho, vendidos para o mercado do Rio de Janeiro, informa o documento “História do Município”. “Em toda a região de Piedade, existem muitas fazendas coloniais. A paisagem do município é belíssima.”

Piedade do Rio Grande tem uma população de 4.709 habitantes (dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estística - IBGE), dos quais 3.477 pessoas na área urbana. O produto interno bruto (PIB) – soma de tudo o que o municípío produz – é estimado pelo IBGE em R$ 180,46 milhões, enquanto o PIB per capita fica em torno de R$ 38,322 mil.

O rebanho bovino do município é calculado em 9.605 cabeças (dados de 2011 do IBGE), das quais 3.915 vacas que produzem 6,2 milhões de litros de leite (no valor de R$ 4,335 milhões). Já o plantel avícola soma 8,9 mil cabeças entre galos, frangos, galinhas e pintos.

Isto explica porque Piedade do Rio Grande produz, principalmente, cana (3 mil toneladas), milho (6,5 mil toneladas) e soja (900 toneladas), em geral usados para alimento do gado. Apesar do clima e do potencial de cultivo, não se destaca na  produção de frutas (maçã, 1000 toneladas; pêssego 200 toneladas; e caqui, 100 toneladas). 

 

Materia publicada no dia 22 de abril de 2013 por José Venâncio de Resende no site: http://www.jornaldaslajes.com.br/index.php

 

 

http://piedadedoriogrande.mg.gov.br


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